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forços que tem empregado para conservar sempre acceso o sacro fogo da sciencia, Cabe-nos como Vice-Presidente a honra de annunciar a abertura da sessão.

Creada em o anno de 1781 pelo governo da Senhora D. Maria I, quando já erão velhos na Europa estes estabelecimentos, mas protegida e constantemente auxiliada pela Augusta Fundadora, e pelo Senhor D. João VI, a Academia, apesar da sua tenue dotação, teve a felicidade de attrahir ao seu gremio, neste curto espaço de sua existencia, todos os sabios nacionaes e grande numero d'estrangeiros, e a gloria de publicar uma importante collecção de memorias e de obras avulsas sobre differentes ramos, que attestão o zelo scientifico da associação, e mostrão o grande merito e apurado gosto dos seus autores.

Apesar de tão gloriosas recordações, a Academia asphixiada pelo halito pestilente das commoções politicas e da guerra civil, cahiu em uma especie de lethargo depois da morte do Senhor D. João VI; mas dispertada pelas salutares providencias da Virtuosa Rainha a Senhora D. Maria II, cuja perda toda a nação deplora, e a cujo zelo pelas sciencias a Academia deve os maiores, e os mais recentes beneficios; e sob a egide e protecção efficaz do seu Augusto Presidente, a Academia fiel ao seu mandato e destino, tem dilatado nestes ultimos tempos a esfera das suas relações scientificas, correspondendo-se com todas as instituições analogas da Europa e da America, tem continuado a publicação das suas memorias, melhorado consideravelmente os seus estabelecimentos, e executado todos os trabalhos regulares e ordinarios, incluindo a feitura dos regulamentos indispensa veis para a sua reorganisação interna, e emprehendido trabalhos extraordinarios, que o interesse da sciencia reclamava imperiosamente.

E ao zelo da Academia, e sobretudo ao improbo trabalho d'um distincto Academico, que a nação deverá brevemente a collecção impressa dos monumentos historicos e legislativos nacionaes e ineditos anteriores ao seculo XVI, que por vergonha nossa jazião sepultados. no pó dos archivos com grande detrimento da sciencia.

As Academias do ensino constantemente empregadas, na ardua 'tarefa da transmissão oral da sciencia, descrevem ordinariamente a mesma orbita, nem podem sem prejuizo do serviço emprehender outros. trabalhos, nem aceitar as novas doutrinas, em quanto estas não estiverem julgadas, e provadas pelo severo crisol da experiencia; e se um ou outro dos seus membros ousa sair do circulo estreito das tradições embora gloriosas do ensino, e nutrir aspirações mais elevadas, a falta de tempo e de recursos cedo lhe embarga os passos e agrilhôa o genio. Lanto se reconhece em França esta verdade, que a propria revisio

periodica dos compendios das aulas é feita por commissarios nomeados. pelo Conselho Superior e estipendiados pelo Governo, com dispensa do serviço das cadeiras.

As Academias das Sciencias pelo contrario, como o seu fim principal consiste na elaboração e aperfeiçoamento das sciencias, e na escolha dos methodos mais proficuos, podem e devem tomar conhecimento das novas doutrinas e descobertas, submettel-as a um rigoroso. exame e a todos os processos necessarios para lhes communicar a unidade, simplicidade e clareza, que caracterisão as sciencias, cunhar com o sello da sua autoridade os resultados obtidos, e por esta fórna dando ás sciencias o impulso e direcção convenientes, marchar á frente, do progresso e da civilisação moral e material do paiz.

Emprehender aquelles trabalhos que as forças individuaes e isoladas não podem realisar; preparar a sciencia para a entregar depois, de elaborada ás Academias do ensino, eis o mister e o fim principal, da Academia das Sciencias, São duas operações distinctas; e qualquer conhece, que a preparação dos productos deve naturalmente preceder a sua exposição e transmissão, e por conseguinte que a Academia das Sciencias é não só uma instituição indispensavel, mas por assim dizer a mola real do mechanismo do progresso.

Está com effeito demonstrado pela historia de todos os seculos, que o espirito d'associação resume em si a vida moral e intellectual da humanidade, e que a cultura e transmissão das sciencias só póderealisar-se cabalmente nestes gremios, a que a civilisação antiga e mo-derna deu o nome historico e brilhante d’Academias.

Eis-aqui a razão por que es. Mosteiros prestaram nos seculos da meia idade tão valiosos serviços ás lettras salvando-as do cataclismo: de crassa ignorancia e de barbaridade, que invadiu o orbe e civilisação romana. Cada convento era uma Academia, o asylo da sciencia e da meditação.

Eis-aqui tambem a razão que determinou nas diversas épocas do renascimento o Imperador Carlos Magno a crear no seu proprio palacio uma escola ou academia de que era socio; o virtuoso Luiz IX a. instituir o Collegio da Sorbonna, séde actual da Academia Universitaria de París; o grande Luiz XIV a fundar a antiga Academia das Sciencias; e Bonaparte, membro do Instituto de França, a reunir no Instituto do Egypto os primeiros sabios da nação."

Deixando porém exemplos estranhos; porque abundão os proprios, não foi certamente por outro motivo que o Senhor D. Diniz fundout e dotou amplamente a Universidade de Coimbra, na qual, segundo o testemunho do Principe dos nossos Epicos, quanto pode d'Athenas de

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sejar-se, tudo o soberbo Apollo ali reserva; nem foi para outro fim que o Senhor Infante D. Henrique fundou (segundo se crê geralmente) a Academia de Sagres, preparando por esta forma a nossa futura grandeza.

Muitos Monarchas Portuguezes creárão, beneficiárão ou dotárão academias e escolas, que são ainda os mais nobres padrões da sua gloTia, e os mais perennes monumentos do seu zelo pela prosperidade nacional.

Estas observações conduzem naturalmente a uma verdade, que devêra estar gravada no espirito e no coração de todos os que presidem aos destinos dos povos — a necessidade, que tem as sciencias e as lettras da protecção efficaz do governo.

As producções do engenho são essencialmente cosmopolitas e humanitarias, mas os seus resultados economicos para o autor são quasi sempre negativos.

O explorador de minas tira do seio da terra os metaes preciosos para os converter em seu proveito com exclusão de todos os outros: o cultor e explorador das sciencias compra com a vida e propria fazenda valores muito mais preciosos e brilhantes para os transmittir a troco de uma tardia gloria ao uso e goso do paiz e do mundo. Cainões lega o mais bello monumento de gloria nacional, e morre esmolando um bocado de pão.

- Felizmente o favor que ElRei o Senhor D. Fernando se digna outorgar á Academia, é fundado no amor que consagra ás sciencias, não requer outro incentivo.

Os governos passão muitas vezes desapercebidos pela sciencia, outras vezes brilhão apenas com uma luz efemera e momentanea, mas Sua Magestade collocado no vertice da columna social velará incessantemente para procurar ás sciencias um futuro esperançoso, e brilhante, e para outorgar aos seus cultores o favor com que mais se accende o engenho.

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ENHORES. — Entendêrão os Ministros de Sua Magestade a SENHORA D. MARIA II, que os admiraveis progressos que as Sciencias tinhão feito nos ultimos tempos, tornavão indispensavel que a constituição organica dos estabelecimentos scientificos podesse produzir o desenvolvimento necessario ás Sciencias applicadas; e por isso julgárão deverem effectuar-se algumas reformas e modificações nos Estatutos da Academia Real das Sciencias, para o que levarão á Augusta Presença de Sua Magestade, em 13 de Dezembro de 1851, um projecto de Decreto, contendo os novos Estatutos da Academia, que Sua Magestade se Dignou approvar.

Pela nova organisação que este Decreto lhe deo compõe-se a Academia de duas Classes:

Uma de Sciencias Mathematicas, Physicas, e Naturaes;
Outra de Sciencias Moraes, Politicas e Bellas Lettras;

Dividindo-se cada uma das Classes em quatro Secções. As SecT. 1. P. 1.

quatro Soções, as see

ções da Classe de Sciencias Mathematicas, Physicas, e Naturaes são :

1.' Sciencias Mathematicas;
2.". Sciencias Physicas;
3.4 Sciencias Historico-Naturaes;

4.° Sciencias Medicas. As Secções da Classe de Sciencias Moraes, Politicas, e Bellas Let. tras são:

1.' Litteratura;
2. Sciencias Moraes e Jurisprudencia;
3. Sciencias Economicas e Administrativas;

4." Historia e Archeologia; Havendo em cada Classe vinte Socios Effectivos, distribuidos pelas Secções,

Ordenou o Art, 22 dos Estatutos : Que, visto não haver na Academia o pessoal necessario para preencher o numero de Socios Effectivos nelle prescripto, o Governo nomeasse, d'entre os Socios, que então existião, de qualquer cathegoria Academica, uma Commissão composta de oito Membros, cada um dos quaes representasse, quanto possivel fosse, uma das oito Secções em que havião dividir-se as Classes da Academia, e esses ficarião todos sendo Socios Effectivos, ainda que alguns não o fossem quando a Commissão se nomeasse: Que a Commissão nomearia, por aquella vez sómente, d'entre os Socios da Academia, ou de pessoas de fóra della, oito para Socios Effectivos, um para cada Secção; que estes nomeados, com a Commissão, escolherião, pela mesma forma, outros oito; e assim por diante até se perfazer o numero de 16 Socios Effectivos em cada Classe: E que, com estes 16 Socios Effectivos, se tantos podessem nomear-se, se constituirião por então as Classes da Academia, provendo-se os outros, lugares por eleição das respectivas Classes, pelo decurso do tempo, quando se apresentassem pessoas idoneas para os oecuparem.

Em observancia do disposto no referido Art.° 22 forão nomeados pelo Governo de Sua Magestade, por Decreto de 7 de Janeiro de 1852, para Vogaes da Commissão que tinha de proceder á designação dos Socios com que havião de constituir-se as diversas Secções das Classes Academicas, os Socios da Academia Bernardino Antonio Gomes, Daniel Augusto da Silva, Doutor Filippe Folque, Guilherme José Antonio Dias Pegado, João Ferreira Campos, Joaquim José da Costa de Macedo, José Cordeiro Feio, e Julio Maximo de Oliveira Pimentel, sete pertencentes á Classe de Sciencias Mathematicas, Physicas e Naturaes, e um á Classe de Sciencias Moraes, Politicas e Bellas Lettras; e tendo-se

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